O último domingo, 2 de novembro, foi marcado pelo Dia de Finados. Para além da homenagem tradicional, a data nos convida a analisar como a cultura perpetua a memória de grandes nomes. No cenário musical de 2025 por exemplo, essa perpetuação ganhou forma em lançamentos de alta relevância: os álbuns póstumos de Gal Costa e Mac Miller.
Estes projetos, um live e o outro de material inédito de estúdio, não apenas satisfazem a demanda dos fãs, mas também servem como documentos cruciais para entender as fases finais ou experimentais da carreira dos artistas. Decidi dedicar esse artigo sobre como esses discos chegam ao público e o que eles revelam sobre seus criadores…
A Estrutura do Álbum Póstumo

Um álbum póstumo é uma obra lançada após a morte do artista, levantando questões sobre curadoria, ética e intenção. A decisão de lançar material inédito é delicada e envolve produtores, herdeiros e gravadoras.
Tanto no caso de Mac Miller, com material gravado há anos, quanto no de Gal Costa, com um registro ao vivo, a tarefa central é transformar material de arquivo em um produto coerente. O sucesso de tais projetos reside em honrar a visão do artista enquanto se utiliza de tecnologia moderna para finalizar e distribuir a obra, garantindo que o legado seja uma entidade viva e também consumível.
Gal Costa: A Energia Mística do Último Palco

As Várias Pontas de uma Estrela (Ao Vivo no Coala) é o registro do último show completo de Gal Costa, realizado em setembro de 2022. O álbum, lançado agora em outubro de 2025, assume um papel documental e celebratório, especialmente no ano em que a artista completaria 80 anos (26 de setembro).
A Última Performance: Colaboradores, como o diretor Marcus Preto e o cantor Rubel, notaram uma “emoção à flor da pele” e um clima “diferente” na apresentação. Rubel, que dividiu o palco com Gal em “Como 2 e 2”, chegou a declarar que a artista parecia ter uma “intuição” sobre o momento, tornando-o quase místico. Além de Rubel, Tim Bernardes também dividiu palco com a Gal durante o show.
Legado Vivo: O álbum tem 20 faixas e foi lançado com um audiovisual pela Biscoito Fino, reforçando o compromisso com a preservação de seu acervo. É a consagração da MPB e da voz que, segundo analistas, “nunca soou como uma artista do passado.”
Mac Miller: Balloonerism A Experiência Experimental

Balloonerism, lançado em 17 de janeiro de 2025 (exatamente cinco anos após o primeiro álbum póstumo, Circles), é a concretização de um projeto cult entre os fãs. As faixas, gravadas entre 2013 e 2014, revelam um Mac Miller em intensa fase de experimentação. É estranho pensar que já perdemos o Mac Miller há 7 anos, mas com esse álbum é como se ele ainda estivesse entre nós, ou cantando do além.
A Sonoridade: O álbum é marcado por uma produção lo-fi, jazzy e psicodélica, e conta com participações notáveis de SZA e Thundercat (que toca baixo em diversas faixas), além de seu alter-ego Delusional Thomas.
Recepção Crítica: O projeto foi recebido de forma positiva pela crítica, alcançando uma pontuação média de 77 no Metacritic com base em dez análises, com o Rolling Stone o descrevendo como um álbum que oferece um “senso nebuloso de consolo”.
Contexto Multimídia: O lançamento foi acompanhado por um curta-metragem de animação de 22 minutos, dirigido por Samuel Jerome Mason, que estreou no Amazon Prime Video, ampliando o conceito visual do disco.
Obras Póstumas

A tendência de lançar material póstumo (como Decretos Reais de Marília Mendonça, Exodus de DMX e Legends Never Die de Juice WRLD) reflete a eficiência do mercado em não somente em manter o legado vivo, mas lucrativo. A lista de perdas recentes em 2025 – incluindo Preta Gil, Ozzy Osbourne, Robert Redford, Arlindo Cruz e Diane Keaton – demonstra a fragilidade da vida e a necessidade quase urgente de catalogar e preservar o trabalho dos artistas em vida.

A curadoria póstuma, quando respeitosa, transforma o luto em catálogo, garantindo que o impacto cultural transcenda a biografia do indivíduo. Uma linda prova que arte transcende tempo, lugar e vida!
A Imortalidade na Ponta do Play

O lançamento de material póstumo é, acima de tudo, um ato de serviço ao legado e ao público. Ele transforma o material arquivado em uma continuidade artística.
“A lenda não se encerra na biografia; ela recomeça no play do álbum póstumo.”
E você, leitor?
QUE ARTISTAS QUE JÁ SE FORAM VOCÊ MAIS SENTE FALTA?


Leave a comment